Se procura uma segunda residência junto ao mar sem abdicar de ter uma grande cidade a pouca distância, o norte e o sul de Barcelona oferecem-lhe dois mundos muito diferentes a praticamente a mesma distância de carro. Muita gente coloca tudo no mesmo saco, quando na realidade quase nada têm em comum. A Costa Brava e a Costa Dorada são duas formas opostas de viver o Mediterrâneo, e escolher bem começa por compreender em que é que realmente se distinguem.
Trabalho neste litoral há vinte e cinco anos, vivo nele, e vou explicar-lhe como explicaria a um comprador sentado à minha frente: não há uma melhor do que a outra. Há aquela que encaixa consigo.
Costa Brava: rocha, enseadas e discrição
A Costa Brava, a norte de Barcelona, na província de Girona, é o postal clássico do Mediterrâneo: falésias, pinheiros que descem até à água, enseadas de águas transparentes encaixadas entre rochas. É uma paisagem dramática, brava — o próprio nome o diz — e é provavelmente a costa mais prestigiada e discreta da Catalunha.
Aqui, a primeira linha de mar tem uma componente de exclusividade muito marcada. Locais como Begur, S'Agaró, Cadaqués, Llafranc ou Tamariu são sinónimo de um comprador que valoriza a beleza, a intimidade e um certo prestígio sem ostentação. Não é a costa do bulício; é a costa do recanto com vista, da casa entre pinheiros sobre uma enseada, do restaurante onde ninguém o conhece. Para o executivo que quer realmente desligar e para quem a discrição importa mais do que a vida social, a Costa Brava é difícil de superar.
Em contrapartida, há duas coisas que deve saber. A primeira é que o produto em primeira linha é escasso e caro, precisamente por tudo o que foi dito. A segunda é que o relevo manda: muitas propriedades estão sobre rocha e desníveis, com acessos, escadas e inclinações, e não numa marginal plana junto à areia. O aeroporto de Girona fica perto, e Barcelona está a cerca de uma hora e meia, dependendo da zona.
Costa Dorada: areia, gastronomia e proximidade
Descendo para sul de Barcelona, na província de Tarragona, a paisagem muda por completo. A Costa Dorada recebe o seu nome da areia: praias longas, douradas e de declive suave, o oposto das enseadas rochosas da Costa Brava. É uma costa mais aberta, mais fácil de viver, pensada para quem quer pisar areia e desfrutar de um mar tranquilo. Encaixa especialmente bem com a ideia de uma segunda residência familiar.
É a costa que melhor conheço, por isso vou ser preciso, porque também não é um bloco uniforme. Salou, muito virado para o turismo de volume, não tem nada a ver com Cambrils, que joga noutra liga: capital gastronómica da zona, com porto de pesca, restaurantes com estrelas Michelin e uma qualidade de vida refinada que muitas pessoas de fora não esperam. Ou Altafulla e Tamarit, com o seu centro medieval e o castelo sobre o mar, entre as zonas mais sofisticadas e tranquilas de toda a Catalunha. Quem procura primeira linha com bom gosto e sem massificação, encontra-a aqui.
A Costa Dorada soma ainda duas vantagens de peso para o seu perfil. A proximidade: Barcelona está a cerca de uma hora, e o aeroporto de Reus fica mesmo ao lado, com ligações muito cómodas para o comprador internacional. E o enquadramento: Tarragona, com o seu património romano classificado pela UNESCO, dá à zona uma profundidade cultural que poucas costas de praia conseguem oferecer. Como referência, em igualdade de condições, a primeira linha na Costa Dorada costuma oferecer uma melhor relação entre nível e preço do que a Costa Brava, sem renunciar à qualidade.
Brava ou Dorada: como decidir
Na prática, a escolha resume-se a algumas perguntas honestas sobre como quer viver o mar:
Rocha ou areia? Se a sua imagem do mar é uma enseada entre pinheiros e um azul intenso sobre pedra, é a Costa Brava. Se é caminhar descalço por uma longa praia de areia fina, é a Costa Dorada.
Discrição ou vida? A Costa Brava é recolhimento, privacidade e exclusividade silenciosa. A Costa Dorada tem mais vida de rua, mais serviços durante todo o ano e um ambiente mais familiar e aberto.
Quanto pesa a proximidade? As duas estão ao alcance de Barcelona, mas a Costa Dorada, sobretudo de Tarragona para cima, é a opção de quem quer poder descer numa sexta-feira à tarde sem sentir que está a fazer uma viagem.
Que papel tem o orçamento? A primeira linha da Costa Brava é, em geral, um mercado de ticket mais elevado. A Costa Dorada dá-lhe primeira linha de alto nível com uma margem de preço um pouco mais confortável.
Como vejo isto depois de 25 anos
Aos compradores que me perguntam porque tenho uma preferência natural pela Costa Dorada, digo-lhes a verdade: porque vivo nela, conheço-a ao detalhe e acredito que é subvalorizada por quem a associa apenas a Salou. A Costa Dorada bem escolhida — Cambrils, Altafulla, certos pontos da costa de Tarragona — é primeira linha de altíssimo nível, com uma das melhores gastronomias de Espanha e a uma hora de uma capital europeia. Isso é muito mais raro do que parece.
Dito isto, se o que procura é beleza dramática e um recanto isolado, a Costa Brava não tem rival, e seria desonesto vender-lhe a Costa Dorada acima daquilo que realmente procura. O meu trabalho não é empurrá-lo para uma costa. É ajudá-lo a reconhecer qual é a sua.
Na Addurno, trabalhamos exclusivamente com propriedades em primeira linha de mar nas duas costas, com produto real em ambas. Se já tem claro se prefere o norte ou o sul de Barcelona, mas ainda não sabe a zona concreta, é aí que lhe posso poupar meses de voltas: sei exatamente o que existe, quanto vale e o que lhe convém em cada trecho do litoral.
Jose Luis Castilla